Fenbendazol e o “Milagre” do Vermífugo: O Que a Ciência e a Segurança do Paciente Dizem

Fenbendazol funciona contra o câncer? Entenda a origem do boato que viralizou, o que a ciência diz em 2026 e os riscos reais de trocar o tratamento convencional por vermífugos.

Se você ou um familiar está enfrentando o câncer, é provável que algum vídeo em redes sociais tenha sugerido o uso de Fenbendazol (um vermífugo veterinário) ou mebendazol como a “cura escondida pela indústria”.

Nossa missão é traduzir a ciência com honestidade. Já falamos sobre terapias complementares antes, mas hoje precisamos abordar por que este assunto viraliza e onde mora o perigo de seguir conselhos de internet sem evidência clínica.

Por que o Fenbendazol viralizou?

Tudo começou com o caso de Joe Tippens, um americano que afirmou ter curado um câncer de pulmão terminal usando o vermífugo. Histórias de superação individual têm um poder viral imenso porque humanizam a estatística. No entanto, o que raramente é mencionado é que Tippens também estava em um estudo clínico de imunoterapia.

Atribuir a cura exclusivamente ao vermífugo é um erro de interpretação que pode custar vidas.

O que existe de verdade científica?

Não podemos dizer que a ciência ignora esses compostos. Existem estudos in vitro (em células de laboratório) e em camundongos que mostram que o fenbendazol pode:

  • Interromper a divisão de certas células tumorais.

  • Inibir a captação de glicose pelo tumor.

Porém, o salto do laboratório para o humano é enorme. O que funciona em uma placa de vidro muitas vezes é tóxico ou ineficaz no corpo humano. Até o momento, não existem ensaios clínicos robustos que comprovem a eficácia e, principalmente, a segurança do fenbendazol para tratar câncer em pessoas.

Os riscos de “tentar por conta própria”

Como oncologista, minha maior preocupação não é apenas se o remédio funciona, mas o que ele pode causar de dano colateral:

  1. Toxicidade Hepática: O uso prolongado de vermífugos em doses não testadas pode causar hepatite medicamentosa severa, impedindo que o paciente continue a quimioterapia real.

  2. Interação Medicamentosa: O fenbendazol pode alterar a forma como o fígado processa os quimioterápicos, tornando o tratamento oficial ou ineficaz ou perigosamente tóxico.

  3. Abandono do Tratamento Curativo: O maior risco é o paciente substituir uma terapia com 70-80% de chance de cura por uma “aposta” de internet, perdendo a janela de oportunidade.

Como responder a essa tendência?

Se você vir alguém recomendando vermífugos para o câncer, a resposta segura deve ser:

“A ciência estuda o reposicionamento de fármacos, mas até que existam testes em humanos, o uso é experimental e perigoso. Nunca altere seu tratamento sem o aval do seu oncologista.”

Conclusão: Longevidade exige Evidência

A busca pela longevidade e pela cura passa pela inovação, mas nunca pelo retrocesso à automedicação sem base. O câncer é uma doença complexa que exige precisão, não soluções simplistas de prateleira de pet shop.


Você tem dúvidas sobre algum outro tratamento que viu na internet? Deixe nos comentários ou agende uma consulta para discutirmos as evidências reais para o seu caso.

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