
Queridos pacientes, familiares e amigos que acompanham nossa jornada por aqui.
Chegamos ao final de mais um ciclo. Esta época do ano é tradicionalmente ruidosa, cheia de celebrações e balanços de vida. Mas eu sei que, para quem enfrenta ou enfrentou o diagnóstico de câncer, o “clima de festa” nem sempre é simples. A cadeira vazia na mesa dói mais, o cansaço do tratamento pesa e a incerteza do futuro pode tentar ofuscar o brilho das luzes da cidade.
Eu vejo vocês.
Como oncologista, sou testemunha diária da coragem silenciosa que não aparece nos cartões de Natal. Vejo a força necessária para levantar da cama em dias difíceis, a resiliência em cada sessão de quimioterapia ou radioterapia, e a bravura de encarar exames e esperar resultados. O câncer não tira férias, e eu sei o quanto isso exige de vocês.
Mas este texto não é sobre a doença. É sobre a vida que insiste em acontecer apesar dela.
Quero usar este espaço para lembrar que não estamos parados. A cada ano que se encerra, renovo minha própria esperança não apenas na fé, mas na ciência. Vivemos um momento histórico na oncologia. Temos hoje ferramentas, tratamentos personalizados e imunoterapias que eram inimagináveis há uma década. Estamos transformando diagnósticos assustadores em jornadas gerenciáveis, e cada vez mais, em histórias de cura. A ciência está do nosso lado, trabalhando incansavelmente.
Para o ano que se inicia, meus votos para vocês são realistas, mas profundamente esperançosos:
Desejo que vocês tenham dias de alívio entre as batalhas. Desejo que a rede de apoio de vocês seja sólida e amorosa. Desejo que vocês se permitam momentos de alegria genuína, que não sejam definidos pelo “ser paciente”, mas pelo ser humano incrível que vocês são. E, acima de tudo, desejo que mantenham a chama da esperança acesa.
Saibam que, do lado de cá, minha equipe e eu renovamos nosso compromisso de lutar essa batalha junto com vocês em 2026. Vocês nunca estão sozinhos nessa caminhada.
Um abraço fraterno e cheio de respeito,
