Exame de Sangue “Tipo Galleri”: Promessa Real ou Caça ao Falso Alarme?

Um teste de sangue pode sugerir câncer antes dos sintomas. Saiba o que o PATHFINDER 2 mostrou e como equilibrar os benefícios da tecnologia com os riscos de falsos alarmes.

Imagine um teste capaz de detectar mais de 50 tipos de câncer através de uma simples coleta de sangue, muito antes de qualquer sintoma aparecer. O teste Galleri, um dos mais famosos exames de detecção precoce de múltiplos cânceres (MCED), tem dominado as discussões sobre longevidade e medicina preventiva. Mas será que estamos diante da “cura” pelo diagnóstico ou de uma fábrica de ansiedade?

Como funciona a tecnologia MCED?

O exame utiliza o sequenciamento de DNA de última geração para procurar fragmentos de material genético que as células cancerígenas liberam na corrente sanguínea — o chamado DNA tumoral circulante (ctDNA). Mais do que dizer “sim” ou “não”, ele analisa padrões de metilação para sugerir em qual órgão o tumor pode estar localizado.

O que o estudo PATHFINDER 2 nos ensina?

Dados recentes do estudo PATHFINDER mostram que esses testes têm uma alta especificidade (poucos alarmes falsos em pessoas saudáveis), mas a sensibilidade ainda é um desafio, especialmente para tumores em estágios muito iniciais (Estágio I), onde a cura é mais provável.

Os pontos de atenção são claros:

  • O “Falso Positivo”: Um resultado positivo que não se confirma após exames invasivos (biópsias, PET-scans) gera um custo emocional e financeiro imenso.

  • O Sobrediagnóstico: Detectar tumores que cresceriam tão devagar que nunca chegariam a causar problemas ao paciente durante sua vida.

O Veredito na Oncologia e Longevidade

Para o paciente focado em longevidade, o teste Galleri não substitui os rastreios tradicionais (como colonoscopia e mamografia), mas pode atuar como um complemento. Na oncologia moderna, a detecção precoce é o “santo graal”, mas ela deve ser feita com critério clínico.

Minha visão: O exame é uma promessa real e uma ferramenta poderosa, mas não deve ser feito de forma isolada ou sem aconselhamento médico genético. O futuro da medicina é a detecção precoce, mas o presente ainda exige cautela para não transformarmos pacientes saudáveis em “pacientes eternos” por achados irrelevantes.

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