Imunoterapia Guiada por MRD no Câncer de Bexiga: A Revolução do ESMO 2025

Pela primeira vez, evidências do ESMO 2025 apoiam a imunoterapia adjuvante guiada por MRD no câncer de bexiga. Veja por que isso pode reduzir sobretratamento e recidivas, otimizando o tratamento.

Até recentemente, após a cirurgia de remoção da bexiga (cistectomia radical) por câncer invasivo, a decisão de fazer quimioterapia ou imunoterapia adjuvante (pós-cirurgia) era um dilema. Muitos pacientes eram “supertratados” (recebendo terapias desnecessárias com seus efeitos colaterais) e outros, que realmente se beneficiariam, talvez não recebessem o tratamento a tempo.

A ESMO 2025 (European Society for Medical Oncology) trouxe um avanço que pode mudar esse cenário, especialmente para o câncer de bexiga. Pela primeira vez, temos dados robustos mostrando que a Doença Residual Mínima (MRD) detectada por ctDNA (DNA tumoral circulante) pode guiar o uso da imunoterapia adjuvante, otimizando os resultados e reduzindo o sobretratamento.

O Que Mudou no Jogo?

O estudo que chamou a atenção foi o IMvigor011, que investigou o papel do atezolizumabe (uma imunoterapia) em pacientes com câncer urotelial muscular invasivo de bexiga. Embora os resultados completos ainda estejam sendo analisados e o estudo ainda não tenha atingido seu objetivo primário, a discussão sobre o uso do ctDNA para selecionar pacientes para imunoterapia adjuvante foi um dos pontos altos.

A Grande Sacada:

  1. Seleção Precisa: O ctDNA permite identificar, entre os pacientes operados, aqueles que têm Doença Residual Mínima (MRD) — ou seja, pequenas quantidades de células cancerígenas ainda circulando, invisíveis aos exames de imagem.

  2. Imunoterapia Direcionada: Para esses pacientes MRD-positivos, a imunoterapia adjuvante se mostra promissora em “limpar” essas células e reduzir o risco de recidiva. Para os MRD-negativos, a necessidade de um tratamento adjuvante pode ser reavaliada, poupando-os de toxicidades desnecessárias.

Por Que Isso É Tão Importante para o Câncer de Bexiga?

  • Recidivas Frequentes: O câncer de bexiga invasivo tem uma alta taxa de recidiva, mesmo após a cirurgia radical.

  • Toxicidade dos Tratamentos: A quimioterapia e a imunoterapia, embora eficazes, têm efeitos colaterais significativos. A capacidade de direcioná-las apenas para quem realmente precisa é um avanço enorme em qualidade de vida.

  • Decisão Complexa: Até agora, a decisão de tratamento adjuvante era muitas vezes “no escuro” ou baseada em fatores menos precisos. O ctDNA oferece uma “luz” genômica.

O Futuro da Oncologia de Precisão

A ESMO 2025 reforçou que estamos caminhando para uma era onde o tratamento é cada vez mais personalizado. A detecção de MRD via ctDNA não é apenas uma ferramenta de prognóstico, mas um guia terapêutico.

Arquivado em: OncologiaEtiquetas:,