Efeitos Colaterais Tardios da Quimioterapia: O Déficit Cognitivo em Foco

Médico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Especialista em Clínica Médica pela Universidade de São Paulo (USP). Especialista em Oncologia Clínica pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente atua como oncologista clínico no Hospital UDI - São Luís - MA, no Centro de Oncologia do Maranhão -São Luís - MA e no Hospital do Câncer Aldenora Bello - São Luís - MA.

Ao abordar os tratamentos contra o câncer, a quimioterapia surge como uma das terapias mais conhecidas e amplamente utilizadas. No entanto, além de seus benefícios no combate à doença, a quimioterapia pode levar a efeitos colaterais tardios, sendo o déficit cognitivo um dos mais impactantes para muitos pacientes.

 

Neste artigo, mergulhamos profundamente nos aspectos desse efeito colateral, visando esclarecer suas causas, sintomas e estratégias de manejo.

O que é o Déficit Cognitivo pós-Quimioterapia?

Conhecido popularmente como “nevoeiro químico” ou “chemo brain”, o déficit cognitivo relacionado à quimioterapia refere-se a alterações na capacidade mental que podem surgir durante ou após o tratamento. Essas alterações podem envolver memória, atenção, processamento de informações e habilidades organizacionais.

Causas do Déficit Cognitivo

Embora a causa exata do déficit cognitivo pós-quimioterapia não seja completamente compreendida, acredita-se que uma combinação de fatores possa estar envolvida:

1. Efeitos Diretos da Quimioterapia: Alguns medicamentos quimioterápicos podem afetar diretamente as células cerebrais ou alterar a forma como elas funcionam.
2. Resposta Imunológica: A resposta do sistema imunológico ao câncer e ao tratamento pode influenciar a função cerebral.
3. Fatores Hormonais: Tratamentos que alteram os níveis hormonais, como os direcionados ao câncer de mama ou próstata, podem impactar a cognição.
4. Fadiga: O cansaço crônico, comum em pacientes com câncer, pode contribuir para problemas cognitivos.

Sintomas Comuns

Os pacientes que experimentam o déficit cognitivo após a quimioterapia podem enfrentar:

– Dificuldade em encontrar palavras durante conversas.
– Problemas de memória de curto prazo.
– Dificuldade em multitarefas.
– Problemas de concentração.
– Lentidão no pensamento ou processamento de informações.

Manejando o Déficit Cognitivo

A boa notícia é que existem estratégias para gerenciar e minimizar os impactos desse efeito colateral:

1. Terapia Cognitiva: Terapeutas especializados podem ajudar os pacientes a desenvolver habilidades para compensar as deficiências cognitivas.
2. Exercícios Mentais: Jogos, quebra-cabeças e leitura podem ajudar a manter a mente ativa.
3. Atividade Física: Estudos mostram que o exercício regular pode melhorar a cognição.
4. Sono: Priorizar um sono de qualidade pode ajudar a reduzir os sintomas.

A Importância do Acompanhamento Neurológico

Dada a natureza potencialmente debilitante do déficit cognitivo pós-quimioterapia, é fundamental que os pacientes que sofrem ou não desses sintomas procurem a ajuda de um neurologista especializado em cognição. Esses especialistas podem fornecer avaliações detalhadas, estratégias de intervenção e orientação personalizada para ajudar os pacientes a gerenciar e, em alguns casos, superar essas dificuldades. O acompanhamento regular garante não apenas uma melhor qualidade de vida, mas também a possibilidade de tratamentos e intervenções precoces.

Conclusão

O déficit cognitivo é um dos efeitos colaterais tardios da quimioterapia que merece atenção tanto de profissionais de saúde quanto de pacientes. Reconhecendo seus sintomas e adotando estratégias de manejo, é possível aliviar seus impactos e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O envolvimento de um neurologista especializado em cognição tambem é, portanto, fundamental nesse processo.

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