O Omeprazol e o Câncer Gástrico

Médico formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Especialista em Clínica Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP); Especialista em Oncologia Clínica pelo Instituto do Câncer da Universidade de São Paulo (ICESP-USP); Atualmente atua como oncologista clínico na Hospital Saúde da Mulher (Belém-PA).

Medicamentos  como omeprazol e pantoprazol são amplamente utilizados pela população. Estudo sugere que pode haver relação do seu uso com câncer gástrico.

Os inibidores de bomba de prótons (IBPs), classe de medicamentos na qual se inclui o omeprazol e o pantoprazol, são alguns dos medicamentos mais prescritos no Brasil e no mundo, sendo bastante conhecidos pela população. Classicamente, são indicados em diversas patologias relacionadas à síndrome dispéptica, incluindo o tratamento da infecção gástrica pelo H. pylori. Seu uso extensivo e indiscriminado por grande parte das pessoas é alvo de estudos científicos há algum tempo, em especial pela possibilidade de efeitos tóxicos do uso em longo prazo. A possibilidade da relação da utilização de IBPs com o desenvolvimento do câncer de estômago aparece como umas das associações mais estudadas.

 

O estudo

 

A mais nova evidência nesse cenário é um estudo realizado pela Universidade de Hong Kong e pela Universidade de Londres, o qual avaliou 63397 pacientes que trataram infecção por H. pylori entre 2003 e 2012. Nesse tempo, foram comparados pacientes que utilizaram IPBs com pacientes que utilizaram os inibidores anti-H2, uma outra classe mais antiga de inibidores de secreção de ácido gástrico.

No estudo, 3271 pacientes utilizaram os IBPs e 21729 utilizaram os anti-H2. Foram diagnosticados 153 casos de câncer gástrico e, enquanto o uso diário dos anti-H2 não se relacionou a nenhum aumento de risco de desenvolvimento do câncer, o uso diário de IBPs aumentou o risco de aparecimento de câncer gástrico em 4,55 vezes em relação ao uso semanal.  Pacientes com tempo de uso diário maior que 3 anos tiveram aumento de risco de 8 vezes.

Apesar deste estudo não ser definitivo em determinar a relação do câncer gástrico e dos uso de IBPs, ele emite um alerta para o uso indiscriminado de tais medicações pelos pacientes, em especial por tempo prolongado. Tais medicações são avanços inegáveis da medicina moderna e apresentam indicações muito bem estabelecidas, com benefícios bem definidos do uso em curto prazo em situações específicas. O uso em longo prazo porém deve ser indicado e acompanhado de perto por profissionais de saúde, e muitas vezes deve ser desencorajado no caso da presença de alternativas de tratamento igualmente eficazes, medicamentosas ou não.

 

Prevenção

 

Frequentemente os sintomas gástricos comuns na população, como queimação, empachamento e gases, podem ser melhor controlados com ajustes de dieta, exercício físico e controle de horário das refeições, não devendo ser os IBPs as medicações de primeira escolha em todos os casos.

Apesar dos avanços da Oncologia e do tratamento do câncer, o melhor remédio no combate a doença continua sendo investir em prevenção e na identificação de fatores de risco que possam ser erradicados. Enquanto os estudos definitivos sobre o tema não são publicados, devemos evitar possíveis comportamentos de risco desnecessários.

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